“Levamos uma vida que não nos leva a nada Levamos muito tempo pra descobrir Que não é por aí, não é por nada não Não, não pode ser, é claro que não é Será?”(Muros e Grades - Engenheiros do Hawaii)
A indecisão é muito subestimada. Admirável é aquele que sabe
tudo o que quer, sabe pra onde vai, é radicalmente contra ou a favor da
legalização do aborto, da maconha e do casamento gay.
Opinião formada é ótimo. O problema é opinião “mal informada”,
sem corpo, sem conteúdo e sem consistência.
(“Se pelo menos mentes fechadas viessem com bocas fechadas!”)
Só pra não ficar em cima do muro, porque ninguém gosta do
sujeito em cima do muro. Mas é preciso levar em consideração que o problema de
quem fica embaixo pode ser acrofobia.
É fácil se deparar com um muro na sua frente e contorná-lo.
Você escolhe se quer seguir pela direita ou pela esquerda. Escolhe se quer ser
contra ou a favor da lei da palmada, dos transgênicos ou da pena de morte, e
continua caminhando.
Mas do chão, de frente pro um muro, você só enxerga tijolo e
concreto.
Quando você se dispõe a ralar os joelhos pra escalá-lo,
consegue ver além. Se não tiver medo de altura dá pra enxergar muito mais. E as
vezes, percebe que dá pra seguir por caminhos em todos os ângulos, curvas,
diagonais, inclinações, sentidos e direções. Que não é só sim ou não e que é
possível enxergar nuances. “Em casos de estupro ou fetos anencéfalos”, “em
cerimônia não religiosa”, “em alimentos processados.”. “Sim”, “não”, “se...”.
E
se permita errar, como canta Joss Stone, “I’ve got the right to be wrong”, e
escolher novos caminhos. Quantas vezes quiser.
Com as ideias em ordem e os olhos cheios, você desce do muro
e escolhe sua direção. O deixa pra trás, o destrói como nos atos finais de
uma ópera rock do Pink Floyd.
Ou não.

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