terça-feira, 17 de abril de 2012

Pelo direito de subir no muro. E descer. Ou não.


“Levamos uma vida que não nos leva a nada Levamos muito tempo pra descobrir Que não é por aí, não é por nada não Não, não pode ser, é claro que não é Será?”(Muros e Grades - Engenheiros do Hawaii)


A indecisão é muito subestimada. Admirável é aquele que sabe tudo o que quer, sabe pra onde vai, é radicalmente contra ou a favor da legalização do aborto, da maconha e do casamento gay.

Opinião formada é ótimo. O problema é opinião “mal informada”, sem corpo, sem conteúdo e sem consistência.  

(“Se pelo menos mentes fechadas viessem com bocas fechadas!”)

Só pra não ficar em cima do muro, porque ninguém gosta do sujeito em cima do muro. Mas é preciso levar em consideração que o problema de quem fica embaixo pode ser acrofobia.


É fácil se deparar com um muro na sua frente e contorná-lo. Você escolhe se quer seguir pela direita ou pela esquerda. Escolhe se quer ser contra ou a favor da lei da palmada, dos transgênicos ou da pena de morte, e continua caminhando.

Mas do chão, de frente pro um muro, você só enxerga tijolo e concreto.

Quando você se dispõe a ralar os joelhos pra escalá-lo, consegue ver além. Se não tiver medo de altura dá pra enxergar muito mais. E as vezes, percebe que dá pra seguir por caminhos em todos os ângulos, curvas, diagonais, inclinações, sentidos e direções. Que não é só sim ou não e que é possível enxergar nuances. “Em casos de estupro ou fetos anencéfalos”, “em cerimônia não religiosa”, “em alimentos processados.”. “Sim”, “não”, “se...”. 

E se permita errar, como canta Joss Stone, “I’ve got the right to be wrong”, e escolher novos caminhos. Quantas vezes quiser.

Com as ideias em ordem e os olhos cheios, você desce do muro e escolhe sua direção. O deixa pra trás, o destrói como nos atos finais de uma ópera rock do Pink Floyd.

Ou não.

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