But I'm not the only one
I hope some day you'll join us
And the world will be as one!"
(Lennon, CC - ALGUNS direitos reservados)
Se o século XX foi o século da propriedade de terras, o século XXI é o da propriedade intelectual.
"Propriedade intelectual" é o termo utilizado pelas grandes corporações de copyright e pessoas que acreditam que a criação do indivíduo deve permanecer trancafiada a quem detém seus direitos autorais, e que seu uso e alteração são atos criminosos. Nessa corrente de pensamento, ideia$ são apenas lucro. Na outra ponta, estão aqueles que acreditam no livre compartilhamento da cultura e da arte, os que vão na contra-mão e defendem o domínio público em contrapartida com a propriedade intelectual: os "copyleft".
O assunto (ou a guerra!) afeta diretamente diversas vertentes da cultura e até a ciência e medicina. Na música, a galera que faz mashups (reorganiza trechos de músicas já existentes para criar uma nova) sofrem um bocado com a burocracia dos direitos autorais. Sobre isso, foi construído o seguinte manifesto:
1) A cultura sempre se constrói baseada no passado;
2) O passado sempre tenta controlar o futuro;
3) O futuro está se tornando menos livre;
4) Para construir sociedades livres é preciso limitar o controle sobre o passado.
• Na medicina, busca-se coletar dados em periódicos e artigos científicos para que algo novo seja criado. Quando se chega a um resultado satisfatório, muitas vezes, descobre-se que a ideia já está guardada e sem uso, já existe uma patente e portanto, é impraticável.
Se as ideias estivessem livres para serem utilizadas e modificadas, a ciência evoluiria muito mais rapidamente.
• Argumentando diminuir os trabalhos mal remunerados em fábricas para a criação de empregos com salários melhores na área de tecnologia, os EUA decidiram adotar uma política de impedir a cópia de suas ideias, e em troca, os países poderiam exportar seus produtos para lá. Mas isso não funcionou como o esperado. "Tenho que admitir que agora que já faz mais de uma década que começamos com essa política de direitos autorais digitais, eu sinto que não atingimos os resultados esperados. Eu acho que talvez teria sido melhor esquecer a propriedade intelectual internacional e exigir melhores condições de trabalho e proteção ambiental" Bruce Lehman, ex diretor U.S. Patent and Trademark Office.
• Em uma palestra, o escritor, professor de direito da faculdade de Stanford e defensor da livre internet e distribuição de cultura, Lawrence Lessig, diz que as leis estão estrangulando a criatividade ao criminalizar a reprodução de trabalhos autorais. A liberdade está sendo restringida por uma legislação focada apenas no lucro. Confira aqui.
Lawrence Lessig, autor de "Cultura Livre" e criador da Creative Commons
• Documentário "RIP! A Remix Manifesto", sobre o compartilhamento de informação. No Youtube está dividido em 9 partes, pare de coçar o saco e assiste logo.
Destaco a sequência a partir dos 3:10 da parte 2/9, onde aparecem comparações de instrumentais, blues antigos, Led Zeppelin, Rolling Stones e o acuso de plágio sobre Bittersweet Symphony do The Verve, cujos créditos foram recebidos pelos Stones... que venderam a música para a Nike. ("Cause it's a bittersweet symphony this life. Try to make ends meet you're a slave to money then you die!") Beleza então, né.
Também o caso "Napster x 'Quem-fizer-vai-se-ver-com-o-Metallica'", entre muitas outras coisas interessantes, como os projetos culturais nas comunidades cariocas, as patentes de organismos vivos, o Mickey como traficante revolucionário e uma Disney hipócrita e perversa. Tudo dirigido pelo cyberativista Brett Gaylor com participações do DJ Girl Talk, Lawrence Lessig e o então ministro da cultura Gilberto Gil.
"O compartilhamento é a própria natureza da criação. Não há criação isolada, ninguém é um criador sozinho, ninguém cria nada no vácuo. Tudo já vem de alguma coisa que já foi criada antes, é uma cadeia que vai se processando, com música, com literatura, com o cinema (...)" - Gilberto Gil.
A lei não deve limitar a liberdade cultural!






