quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Teatro para juventude II


Olá, amigos!

Aproveitando a temporada de teatros juvenis, também resolvi escrever uma esquete que retrata o bem e o mal que reside em nós.

Nesta esquete há apenas três personagens que são interpretados pela mesma pessoa ao mesmo tempo.

O pessoa encontra-se diante de um espelho conversando com seu anjo e seu demônio interior. Nessa conversa são levantadas questões sobre a essência do ser humano e a sensação de não se adaptar a realidade como sendo um limite de aceitação as diferenças dentro de nós mesmos.

Espero que gostem. Até a próxima.




O bem e o mal que reside em nós

- Você não devia ficar me olhando deste jeito, como se eu estivesse errado.

- Eu não sei quem está certo ou errado, mas você devia tentar ser mais sociável.

- É, às vezes sinto falta disto, porém, fico incomodado com a realidade. Sabe, às vezes tenho a impressão de que não há mais lugar para mim na sociedade.

- Verdade, acho que você deveria tomar um copo de veneno!

- Hahaha, para com isto! Ele é gente boa, você que não o compreende.

- Vocês ficam rindo, mas eu já pensei nisto, sabiam?

- Realmente você tem demonstrado certas atitudes que me deixam triste.

- Desculpe, não é por mal. Só acho que meus valores são muito diferentes dos da sociedade.
- Eu fico me perguntando por que as pessoas mentem, têm inveja, são egoístas, traidoras, aliás, porque fazem essas coisas?

- As pessoas estão sendo elas mesmas, você também deveria ser assim. Tenho certeza de que elas iriam gostar muito mais de você.

- Você não precisa ser igual, afinal, você não é assim. Você pode até fazer as mesmas coisas, mas no final seus princípios sempre serão os mesmos. Neste caso você seria um hipócrita.

- Do jeito que as coisas andam, está compensando fazer o mal. De repente você gosta e acostuma, hehe.
- Já sei, compre uma arma. Assim quando alguém reclamar do que você estiver fazendo, você coloca a pessoa pra dançar.

- Cada idéia que você tem, hein? De onde vem tanta besteira?

- Ah! Já fui bonzinho demais e nunca ninguém me valorizou. Como conseqüência disto, acabei por conhecer novas perspectivas de vida.
- Hoje penso que, estava encenando uma peça negando minha própria natureza.

- Hehehe, você desistiu muito fácil, qualquer coisinha ruim que acontecia você já queria punir e vingar-se, estragar a vida de alguém. Aliás, estragar sua própria vida.

- Lá vêm você. Nem sabe ao certo o que aconteceu.

- Voltando ao assunto, de fato as pessoas têm perdido alguns valores ao longo do caminho por conta conselhos como esses que ele está te dando.

- Devo confessar que as idéias até que são interessantes, mas ainda não cheguei a uma conclusão.
- Eu só queria que fosse mais fácil confiar nas pessoas, viver em harmonia.

- As pessoas vivem em conseqüências das escolhas que elas mesmas fazem.
- Eu acho que você deveria desenvolver mais a sua habilidade de aceitação, pois isto é um limite, sabia?

- Desenvolver mais ainda?
- Eu aceito até demais, por isto, ainda não desisti.

- Eu ainda acho que você não tem jeito.
- Deveria tomar um copo de veneno ou então, comprar a arma como já te falei, assim as pessoas respeitariam você.

- Quer parar de falar bobagens?
- Esses são os piores conselhos que alguém já deu na vida.

- E você acha que os seus são bons? – Parece até que quer que ele continue sofrendo deste jeito.

- Não quero que ele sofra. Quero ajudá-lo.

- Sei. Se quisesse mesmo ajuda-lo, concordaria comigo.

- Não tem cabimento concordar contigo, você também precisa de ajuda.

- Hey, pessoal!
- Chamei vocês para me ouvirem e não para discutirem entre vocês. Pelo amor, estou cansado de assistir sempre a mesma coisa.
- Quer saber, já escovei meus dentes, vou embora. Tchau!

Felipe H. Lucate

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