quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Relembrando as aulas de história da arte ..

Olá, como vão? Tudo bem? Então, hoje eu resolvi escrever sobre uma coisa que eu gosto muito: arte. Não qualquer arte. A arte renascentista. Diziam os poetas do renascimento que a arte deve ser bonita, deve aliciar os sentidos para despertar a atenção e, ao mesmo tempo, ensinar, passar algum conteúdo. O poeta Lucrécio escreve: “O que é a poesia e a arte? Ela deve ao mesmo tempo seduzir através da beleza dos sentidos e ensinar o que é a verdade: a maior parte da verdade humana é amarga, melancólica. A função da arte é agradar e ensinar, enganar os ignorantes para que eles entendam através das imagens”.
Para exemplificar um pouco como tudo isso é fascinante, eu resolvi fazer uma pequena análise de dois quadros pra vocês: O Nascimento de Primavera e o Nascimento de Vênus, ambos de Botticelli. Prometo que vou tentar resumir bastantão e não deixar chato... Vamos lá?

Nascimento de Primavera




Ah, não é lindo? =))
É um quadro com muitas alegorias, figuras de linguagem usadas para representar conceitos abstratos como o tempo, o frio e etc. A mina do meio é Vênus, a deusa da beleza. Acima dela está seu filho, Eros, o Cupido, sabe? Então,apesar de ser uma criança ele adorava encher a cara. Aí ele ficava bêbado, colocava uma venda nos olhos e, inconseqüentemente, flechava todo mundo, fazendo com que todos se apaixonassem. Daí vem a expressão “o amor é cego”.
Na direita, o cara azul é o Zéfilo, alegoria do inverno rigoroso, que destrói. A mina que ele ta agarrando é a ninfa Flora. Ela é a ninfa protetora das plantas. O mito diz que Eros flechou Zéfilo que se apaixonou e estuprou Flora. Daí ela ficou grávida (olha lá a barriguinha!). Perceberam que ela tá vomitando umas florzinhas? E essas florzinhas se transformam nessa moça loira? Então, essa moça é a Primavera. Resumindo, Flora é estuprada pelo inverno e vomita, dando a luz Primavera. Por isso o quadro chama o Nascimento de Primavera (hã hã).
Do outro lado há três moças loiras dançando. Elas são as três graças, dançarinas do Olimpo que representam a harmonia da vida. Elas formam um círculo que está representando as estações do ano: o eterno retorno da vida e da morte. Do lado delas há Mercúrio, Deus da informação e da transmissão do conhecimento.

Nascimento de Vênus



AAAAAAAAAAAh, fala a verdade, esse não é o quadro mais lindo que vocês já viram? =)
Então, ele é a continuação daquele. São os mesmos personagens, olha lá. Zéfilo não está mais azul e já fez as pazes com a Flora. Agora eles estão agarradinhos! Hehe .. A mina do meio é Vênus, que está nascendo, e a que a acolhe com o tecido é a primavera (que nasceu no outro quadro.. )
Deixa eu contar uma pequena historinha: Na época dos titãs, quando não havia nada além dos gigantes, Urano temia perder seu poder. Ai ele trancou os seus irmãos titãs na prisão da terra, Gaia. Ela, inconformada, liberta um dos irmãos, o Cronos, o tempo. Aí o tempo vai lá, pega uma espada e corta o pipi de Urano enquanto ele está bêbado (não tinha muita coisa pra fazer naquela época, então as pessoas viviam bêbadas..). O órgão dele cai no mar e o fertiliza. Assim nasce a vida na terra. \o/
Mas, antes da vida, a primeira coisa que nasce é a beleza: Vênus! Ela é levada numa concha para praia pelos ventos que Zéfilo está soprando, tá vendo?
No outro quadro, Vênus recebia primavera nascendo, e aqui é primavera recebendo Vênus. Porém, quem veio antes? A beleza ou a primavera? Não se sabe .. É preciso que haja beleza para que haja vida, ou é preciso ter vida para que a beleza se encarne nela? Quem porta o que? Quem gera o que? A beleza só vive encarnada na vida, e a vida só existe estimulada pelo filho da beleza, Eros (como vimos no outro quadro). O que se sabe é que sem morte, sem violência, não há vida ou beleza. Sem o estupro de Flora, ou sem a violência de Cronos, nenhuma existiria.

Nesse quadro, Botticelli faz uma homenagem a jovem Simoneta Vesputti, a mais linda mulher italiana. Ela era uma filosofa e muito inteligente, mas morreu muito cedo, com 23 anos. Em sua homenagem, Lourenzo o Magnífico escreveu um poema: “Oh como é bela a juventude, toda via escoa entre os dedos como areia. Aquele que quiser ser feliz agora seja, pois no amanhã não há certeza!”. Ou seja, ela tem brilho físico, brilho intelectual, mas muito é passageira: morre cedo. E ninguém, nunca mais pôde olhar para semelhante beleza, pois a beleza está no tempo, e não há como retê-la. Há uma melancolia nisso, não? Reparem como a Vênus carrega essa melancolia no olhar... Não é lindo? Não é apaixonante? Não é tudo? ihaiha.. Espero que vocês tenham gostado! =)
Bjins! Até a próxima! ;D

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